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Só
um tanto metafórico
teórico
gratuito
sem amargo
nessa opacidade triste
infenso à comunhão
ao conluio
ao convívio
cruzo o dia
sem você
com você
no espelho desse imenso deserto
o fulgor dessa solidão
ruas
becos
pó e esquecimento
não sei
junto palavras
e me perco
caminho pelo pátio dessas feridas abertas
e sou eu
camarada impraticável
buscando a mais profunda raiz do silêncio
busco você
e sei que não
sei...
e assim
desço
a avenida movimentada
disperso
calado
traço
passo
o remanso
é a minha vida
o meu tempo
sob o tapete da realidade
sob o imenso sorriso no outdoor
orgânico
mecânico
só
#
Newton Lecarva ( 22:22 )
o mel
sua poesia
envolve-me em cada verso
quieta, coração bate
e me prende a ti
é tarde,
da manhã o legado
frio, nevoeiro,
de ti
o discreto azul do céu
sua música,
brilho,
luminosidade
corajosa,
atrevida
dispensando atenção ao destino e não ao caminho a seguir
deslizo nesse seu asfalto molhado
a água me envolve e tem o sal
não de sua saliva e sim delas
as lágrimas que teimam em abrir sulcos
e irrigar esse meu tão desejado intento
negar-te
não há conflito silencioso em mim
há lutas, batalhas
o remédio
não sei,
esquecimento ?
não era esse o rumo que queria dar ao começar escrever
de tão doce e puro - seu poema -
as letras, sílabas, palavras,
fugiram-me ao controle
e o sabor de erva amarga
roubou o doce e o colorido de seu ofício,
poeta querido, perdoa-me
havendo dor, conflito
da ostra peço o fechar
e da magia, o esquecer
o fel
sozinha e por mim agora
escrevo,
grito,
publico,
fantasma que me assusta e me tortura
tentei vomitar-te
impossível
instalou-se em minhas entranhas
pobre de mim
negar-te seria fortalecer-te
#
eliane ( 23:46 )
jardim
Compro da tarde
A poesia,
Escrevo esse meu verso quieto
Para que fiques um pouco comigo
É que a tarde ainda está úmida,
Depois de um fria e nevoenta manhã,
Mas agora há luminosidade, o discreto azul do céu.
Enquanto, sem rumo, me movo dentro da lógica estabelecida
Deslizo no asfalto molhado sem medo,
Mesmo com tanta água não há mágoa
E descubro no conflito silencioso da minha vida
Que não há solução para o amor que se arranchou em minha alma.
Não há remédio. Não há. O destino que não se equivoque
Sou eu quem cuida dessas flores imaginárias, no vão desse impossível jardim
Com a mesma paciência de jardineiro que não se fatiga do seu ofício
E essa é a minha vida, esse o meu viver...
#
Newton Lecarva ( 17:46 )
por mim
apagaria todas as lembranças
tornaria-me menina
final de linha
trem perdido
flor que murchou
porta que se fechou
#
à sombra desse desalento todo
eu, alvo dessa tormenta
ponto de partida aniversariando
ponto de chegada incriminando
torno meu eu
público, publico
irremediavel, maculada
desarmada, revestida
encouraçada, fantasiada
sorriso desenhado
dor encrustada - escondida -
culpada
#
dorida
lágrimas da alma que nao mais sonha
ocultas ao olhos
visível apenas à dor que ministra
monarquia instituída
sangue vemelho e não azul
escorrendo e não correndo
por entre veias, veios - labirintos -
#
o impossível
luto por ele
alimento-o
se enfraqueço, fujo
enfrentar, nem pensar
o Sr. Impossivel tem força
eu não
tem nome - esquecimento -
#
eliane ( 13:44 )
acabou o eros poético?
a sombra me acompanha e o vento,
esse torna brisa meus pensamentos
desfeita fui pela ventania
refeita estou pela intensidade de seu desejo
de seus pensamentos
vírgula
de seus movimentos
vírgula
resultam corpos e almas arrebatados
contornos imaginados
mínimos sabores degustados
ponto final
"quero-te quando sei que o meu amor morre
como morrem meus dedos cansados"
#
eliane ( 13:55 )
manhã
quero-te
nessa manhã inglória
vazia
quero-te
antes que minha sombra se desfaça
e leve minha vida no vento qualquer
quero-te
tua boca como uma romã
a curva mínima do teu seio
quero-te
quando sei que o meu amor morre
como morrem meus dedos cansados
nessa manhã espacial
sem glória
vazia.
#
Newton Lecarva ( 13:26 )
uma nota
E é esse um meu canto
canto sem dó... Canto
Solitário, solidário
E esse é você
e essa sua imagem
e esse seu, meu aconchego.
o seu amor incondicional
#
eliane ( 20:20 )
o caracol
só essa hora só
eu busco
o nada sem conflito
a tua paz
teu sorriso
as tuas mãos
busco
mesmo que não voe
que caminhe lentamente
como um velho caracol ao pôr do sol
esquecido do arrepio,
muito além dessa mísera febre que atordoa
e queima o pensamento
queima
busco
busco-te
com a certeza de que não vou te encontrar
no meu caminho
na minha fome
nesse pôr do sol.
e posso dizer que te amo
que te amei
ou que me enganei
ou qualquer coisa
certeza
apenas que busco
como um velho caracol na eterna terra do sol nascente...
#
Newton Lecarva ( 13:54 )
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