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Foto: Luiz Henrique
olhinhos de jaboticaba
Certa vez, desejei em um poema, mais amor, menos humanidade.
Quanto amor!!
Desumano, PP, atendeu-me esse desejo.
Muito amor e nenhuma humanidade.
Deixo aqui, uma declaração universal de mim, de minhas entranhas, de meus labirintos.
Meu "PP", meu "bebe", meu amor...
#
eliane ( 15:07 )
vida
do pouco que sou
do pouco que fui
nessa viagem
inóspita
silenciosa
crua,
a hesitação, o medo,
a coragem de resistir,
acreditar
brigar
por vagos princípios,
enredado em fantasias,
sombras, cruzes,
luzes,
caminhos de ventos e tempestades,
sem mar
sem recompensa
sem medalha
nesse pouco que sou
nesse pouco que fui
não obstante sou eu
Deus manifestou-se em mim
sou criatura
e trago esse pingo indelével do Criador,
essa aura do sonho cósmico,
homem, demônio, sanguessuga, deus,
o peso da terra, o peso do ar,
a boca gananciosa,
o coração na lama,
solitário
perdido na multidão,
em luta,
em processo,
fugindo do despenhadeiro,
da camisa de pó e angústia,
nessa grande viagem do Criador,
ou mesmo que fosse apenas uma bola do acaso,
não importa,
é a infinita viagem em busca
da luz , da liberdade, da vida verdadeira...
#
Newton Lecarva ( 17:46 )
foto Pedro Monteiro
vôo
assim
sem você
fico só
assim só
como se fosse um
e não sou mais
quero o sonho
o mar
as praias douradas de vermônia
o vôo infinito
sem sombras
como um condor que esqueceu o caminho de volta
pela janela vejo as nuvens cinzentas, a chuva, a cidade muda,
a massa de edifícios espetando indiferente o arremedo de céu
e há tantas coisas a fazer!
Mas preferi roubar dos cuidados do dia
esse pequeno poema
para você...
que seja bom o seu dia!
#
Newton Lecarva ( 11:24 )
quando sonho
sou outra
sou feliz
sou livre
e
sonhar
só
dormindo
boa noite
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eliane ( 00:42 )
domingo
agora sim.
eu, quieto
o dia sonoro, o dia belo,
é domingo,
tudo tão simples
como a água
que o rio leva para o mar
e o ar,
que me acorda pela manhã
e me traz
a moça bela, pensativa,
e acorda os pássaros,
as esperanças esquecidas,
os tímidos e envergonados sonhos,
o bico do sol que se enfia pela alma,
abre o coração
e é só um domingo,
pé de cachimbo,
o cachimbo é de barro....
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Newton Lecarva ( 15:22 )
pouca
por mim nada feito
cicunflexa
bolha
pouco a falar
pouco a registrar
pouca
descompromiso com a beleza das letras
com o desenho das linhas
artesanato de idéias
sonhos edificados
castelos de areia
hora exata
minuto passado
nada celebrado
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eliane ( 21:06 )
rica
a carta é social
sem requinte
o envelope eu mesma fiz,
à moda antiga
diferentemente das lembranças
dos momentos
tão presentes
tão especias
VIP
não há o que escrever
nem mesmo o que desejar
mas se existiu a vontade
por que não enviar-te
esse quase email
essa quase carta
foi bom viu?
muito bom
você
e eu
não sei se fui boa
a bondade fertilizava minhas intenções
sementes eram lançadas ao vento
sob os ares de sua graça
eu sorri
e não sózinha
eu vivi
eu nasci
não morri
sequer sobrevivi
segui apenas
deixando pegadas
delegando-te a tarefa de ceifar
de separar o joio
colher o trigo
sob a fertilidade das lembranças
sob o efeito desse início de primavera
sob o encanto da beleza do que passado
presente me foi
vou-me
ADEUS
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eliane ( 20:33 )
você
é o meu querer despertando
o meu sentir desconfiando
é o aceitar me assediando
é
você
nova
me
admirando
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eliane ( 23:02 )
no fio da palavra,
desarmado,
poeta ainda
ofereco-te flores, essas
imaterias, com o sopro da minha alma,
recorbertas pelo fungo do silêncio,
que não conheceram a terra, nem o sol, o hálito azul do céu,
mas que têm um tanto da beleza que de ti roubei...
receba essas flores, minha amiga, colhidas do sonho, da insônia,
mas sobretudo, do coração.
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Newton Lecarva ( 03:38 )
e
foi
e
fui
e
é
passado
ranso
bolorento
feio
por
fora
bonito
por
dentro
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eliane ( 00:26 )
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